Bom, consegui finalmente tirar mais umas fotos (a minha máquina decidiu que hoje era um bom dia para me gozar, o flash e as pilhas decidiram colaborar e a coisa ficou complicada...).
Antes de mais, a base. É um quadrado, com cerca de 10x10 com, que um amigo, Valente, me deu. Estava um bocado danificada nos lados, por isso entretive-me a dar-lhe uma lixadela e a pintar-lhe os lados com X-1 (preto brilhante), para ficar com uma superfície mais lisa. Uma camadinha de Future, só para selar, vai deixá-la como nova!
Como pavimento escolhi uma estrada de paralelos, da MiG Productions. Era para ser a estrada de tijolos amarelos, mas o Homem de Lata disse que não queria participar nisso. Bolas!
Como podem ver, esta estrada já estava adiantada. De facto, no verdadeiro espírito do "Esta gaita está atrasada! Tenho que me despachar!!", fui buscar coisas já começadas para desenrascar. Até este ponto aquilo que tinha sido feito era pintar, se não me engano com XF-49 (Khaki), para dar uma base para os paralelos e encher de uma cor plausível os espaços entre eles. A seguir, pincel seco com 9 (Antracite) da Revell, e ficou com o aspecto que se vê na foto. Foi nesta altura que a desenterrei da caixa onde a tinha enfiado, peguei em dois pincéis com as pontas cortadas e no pigmento Europe Dust e, dez minutos depois, o efeito geral era este:
Estas técnicas não são novas; limitei-me a imitar, em grande estilo, o que fez o editor da Military in Scale, Spencer Pollard, há uns meses atrás. Palmas para o homem e para a revista, uma verdadeira escola de bom modelismo e de boa atitude!
A minha parte favorita desta estrada é que, como acontece muitas vezes com a resina, está empenada - ou seja, vou ter que lhe meter o secador em cima e apertá-la contra uma base plana para a endireitar. O motivo pelo qual não fiz isto ANTES de a pintar é aquela tendência, que já discuti antes, para tentar passar a roupa a ferro depois de a vestir. Mais alguém sofre do mesmo?
Continuando o périplo pela vinheta, gostava de colocar um pequeno muro, de pedra, por trás. Vou usar um destes materiais:
Vai ser este ou outro, cuja foto ficou uma porcaria. Foram-me dados pelo Paiva e pelo Ricardo.
Não sei se já se aperceberam, mas uma boa parte do material nesta vinheta é proveniente de amigos. A sério, não há nada como a malta colaborar, ajudamo-nos uns aos outros, damos ideias para resolver problemas comuns. E gozamos com as caras uns dos outros, claro. Ora, de que é que estavam à espera?!
A parte seguinte são os dois macacos que vão ficar a fazer de mirones na vinheta. Aliás, ainda gostava de promover uma votação para lhes dar nome, porque a malta tem-lhes chamado de tudo e mais alguma coisa. Tom e Jerry? Ren e Stimpy? Simon e Garfunkel?
Como podem ver (espero eu), parti de cores base diferentes. O que está de pé, a quem podemos chamar cára-pálida, tem um tom de pele mais claro (factor de protecção 24) e cabelo louro (L'Oréal: porque eu mereço?); já o tipo que está sentado teve a sorte de eu lhe ter carregado mais na melanina e, além disso, tem cabelo mais escuro. Como lhe pintei o cabelo de negro, e a coisa estava a ficar preta porque a cor não me agradava nem um bocadinho, fiz-lhe umas madeixas com Azul Prússia, que é a cor oficial para clarear preto. Obrigado ao Vitalino Chitas, por ter dito isso na ModelScala 2005, durante o WorkShop, e ao Paiva, por ter ouvido e ainda se lembrar...
Finalmente, o Ford T já levou duas camadas de Future e, em cima, os decalques:
Ao contrário do que eu estava à espera (short-run!), os decalques são suberbos. Têm muito filme, é certo, mas quando se apara este os decalques são bastante flexíveis, moldam-se muito bem com Micro Sol, e acho mesmo que não se vão ver. Fantástico! Levaram mais uma camada em cima e estão prontos. Menos um sarilho pela frente!
Já arranquei o Mr. Masking do banco que pintei. Consegui, no processo, retirar um pedaço de tinta base, que vai ser preciso retocar quando der os óleo para dar o efeito de madeira:
Ainda o Kristal Klear: este é o efeito com que fica nos faróis quando se aplica:
Depois de secar umas horas fica transparente. É preciso dar várias camadas, se se encher tudo de uma vez o que está no fundo demora mais a secar, ou pode mesmo nem secar e fica branco. Sei de experiência própria, acreditem em mim!
Outra coisa que também já está feita é a pintura do banco do condutor. Couro Connoly, importado da Suécia, da melhor qualidade. Bem, na realidade foram só dois tons de castanho escuro da Vallejo...
Um problema com que já contava mas que tenho vindo a evitar é a metralhadora que equipava estes carros. Ora, esta era uma Vickers, refrigerada a água, um verdadeiro clássico que, realmente, não tem nada a ver com a "coisa" que vem na caixa. Como a caixa de soldados da Emhar de onde vêm os meus dois marretas tinha uns quantos com metralhadoras, retirei uma para colocar aqui. Na foto seguinte está à esquerda, já com alguma tinta preta, a metralhadora da Emhar e, à direita (ainda na grelha) as duas peças de que é feita a metralhadora do kit da RPM:
A Vickers da Emhar tem um bocado de flash, mas é muito mais detalhada e com trabalho há-de dar qualquer coisa de positivo. Tem o bónus acrescido de incluir a caixa de munições, mas ainda tenho que fazer o reservatório de água e o respectivo tubo.
Um episódio curioso aconteceu quando tentei dar preto na metralhadora, a pincel, para ver se ainda faltava tirar muitos mais quilos de flash. Por algum motivo a tinta não aderia! Ai, bolas! Foi nessa altura que olhei para a caixa, e vi escrito o aviso que diz "para melhores resultados, lave as figuras com água e detergente ANTES de as pintar". A sério, o meu lema vai passar a ser "quando tudo o resto falhar, olhe para as instruções"
E agora? Bem, o ano passado tive a sorte de ver um workshop do Filipe Ferreira, na ModelScala 2005, sobre a utilização de óleos para dar filtros e envelhecimentos. Ora, já tive a oportunidade de experimentar algumas das dicas, e vou tentar de novo. Não prometo nada em termos de resultado, e garanto-vos que me está a deixar nervoso. Vamos lá a ver...