A pedido do caríssimo Pedro Fernandes - a quem aproveito para desejar felicidades para esta nova fase da sua vida familiar
Queria ressalvar que no texto que se segue, que não alterei, faço algumas considerações relativamente aos kits nas quais já não me revejo. Apesar da dificuldade de construção e da idade dos moldes, depois de ter feito um 190A da Hasegawa e ter observado mais atentamente os da Eduard e Tamiya, agora sou da opinião que talvez os da Dragon sejam os que têm as formas mais correctas e de maior fineza.
Fiquem então com a crónica
Abraço
Boas pessoal!
Cá estou para a minha intervenção anual significativa apresentando dois trabalhos que terminei há pouco tempo, 2 FW190A-5, ambos da Dragon
na escala 1/48.

Os esquemas de pintura que elegi foram precisamente os incluídos no kit, porque felizmente tenho boas referências, os aparelhos estão bem
documentados no volume 5, secção1, da colecção Jagdwaffe da Classic Colours, o 190A-5 W.nr.2594 e o 190A-5/U12 W.nr.410266. Foi necessário no entanto fazer algumas alterações porque os decalques incluídos não estão na sua totalidade correctos, bem como algumas concessões. Mais sobre isto à frente.


Decalques à parte, o que há a dizer é que este kit é na verdade uma grande barretada! Trata-se na verdade de um A-8 vendido como um A-5, a única coisa que não é da versão A-8 é o capot das metralhadoras, para tentar fazer alguma coisa parecida com a versão A-5 é necessário
efectuar uma série de alterações (falharam-me algumas): é preciso eliminar uma série de tampas e paineis na fuselagem, eliminar várias
carenagens por baixo das asas que servem os MG151 e não existem no A-5 (no caso do W.nr.2594, que não tem armamento extra nas asas, substitui a parte inferior das asas pela que vem no kit do FW190G-8 da Revell, que tambem é molde da Dragon...), dar a forma correcta aos poços do trem de aterragem, aparar as covers do trem, que neste caso é composto por 2 partes, tendo recorrido a um kit da Eduard para as arranjar, tal como rodas do tipo correcto (as do kit são correctas para versões a partir da A-7). Ainda no departamento do trem de aterragem, também era suposto que na versão A-5 a extensão do braço hidraulico estivesse protegida e não à vista. Mais “grave” é a forma incorrecta do painel no topo do capot do motor, os "latches" de fixação deviam de estar situados dentro do painel e não fora, bem como a distancia entre as metralhadoras é demasiado grande, correcta para
as MG131 mas não para as MG17. Há um aftermarket da Quickboost que corrige isso, devia ter comprado.
Tirando as questões de precisão do kit, julgo que se trata já de um molde antigo, há muitas partes que apresentam linhas de painel quase sumidas,
particulas de lixo, algum "flash" e, pior que tudo, algum "warp" problemático - isto estende-se não só a estes kits Dragon, como também a reboxings pela Italeri e Revell!
O kit traz duas pequena PEs, de um metal pouco maleável, que incluem o painel de instrumentos, mas não é muito melhor do que uma normal peça
em plástico.
As peças tranparentes, quer o para-brisas quer a canópia, do kit adquirido mais recente tinham as linhas quase sumidas e eram muito quebradiças, tive de recorrer a uma canópia "flat" da Eduard (Versão cockpit aberto).
Se o "novo" FW190A-8 da Italeri, que está à venda a mais de 35Eur, for como eu penso este kit da Dragon então é de fugir, a presente oferta
por parte da Eduard e da Hasegawa fazem com que não faça qualquer sentido, na minha opinião, apostar em qualquer FW190A da Dragon.
Voltando à bancada, a construção começou obviamente pelos cockpits. Como já alguém disse, depois de fechado na fuselagem, pouca coisa se consegue vêr num cockpit de FW190 e é verdade. Como tal, e porque sou algo limitado no meu estilo de trabalho, a vista não dá pra mais e as mãos tremem, completei os pits de forma a conseguir os "mínimos olímpicos".


Seguiu-se o pesadelo da lima e da lixa, o kit é muito problemático em todas as junções. A área de contacto entre as duas parte da fuselagem é muito pequena o que não ajuda nada quando as duas sofrem de warping e se não se acertar nesta fase, compromete-se a junção com a parte do motor.
Sofri um bocado com isso porque não fui completamente certeiro. No fim a coisa disfarçou e, não tendo ficado perfeito, acho que ficou bem aceitável.
(Nas fotos aparece um ou outro modelo, mas a situação mostrada foi comum aos dois.)





Com cada modelo construído aprende-se sempre alguma coisa, como o avião do Hondt tinha a cauda branca resolvi usar o primário branco nesse modelo, enquanto no do Graf usei o cinzento (ambos tamiya). Foi um espectáculo pintar o amarelo por cima, não foi preciso muito mais que uma camada. A partir de agora, sempre que pintar areas em amarelo (e vermelho!), primeiro meto branco! Não fiz isso sobre o primário cinzento e tive de dar várias camadas... É do género de lição básica que se vê descrita em revistas/livros mas que só se aplica depois de alguma casmurrice. Outra licção: não utilizar fio de estanho para detalhar as pernas do trem, o estanho é demasiado maleável, usar fio de cobre. A forma do loop que o cabo dos travões faz ao chegar à roda estraga-se facilmente, foram inúmeras as vezes que tive de corrigir, às tantas o fio ficou todo martelado, tive de aplicar camadas de cola branca para dar espessura e rigidez.
Um alerta para quem tenha em mãos um destes kits: Verificar muito bem o alinhamento entre o cano dos canhões, que atravessa o poço do trem, e as aberturas nas asas. Nos dois modelos verifiquei desalinhamento no cano da asa direita, sendo que num dos modelos já não consegui corrigir.

Finalmente no que mais interessa, para as camuflagens utilizei tintas Gunze acrílicas rlm74, rlm75, rlm76. Como foi a primeira vez que pintei rlm74/75, andei a experiementar um pouco, no avião do Graf juntei algum 71 ao 74 (talvez demais) e usei o 75 directo, no do Hondt juntei um pouquinho de rlm23 ao 75 e usei o 74 directo, o 76 foi usado directo em ambos. Estas coisas das cores valem o que valem, mas parece-me que de facto a afinação do 75 com 23 foi uma boa escolha, acho que falta aquele aspecto "violeta" à cor de origem da Gunze, o 76 parece-me algo demasiado azulado, curiosamente mais no avião do Hondt (teria sido pelo primário branco???). De futuro acho que vou experimentar acrescentar um pouco de branco às três cores, para não ficarem com um aspecto muito saturado.

Seguiu-se a camada de Future da praxe e os decalques. Tal como referi lá atrás, os decalques incluídos não estão muito correctos, no caso do Hondt o "13" não se parece nada com o real e também os tipos das cruzes indicadas não bate certo com as das referências, tenho a agradecer ao Venancio Lebre ter me descoberto uma folha de decalques da Superscale que resolveu o problema.
No caso Graf, a coisa foi pior... Como já devem ter reparado, o meu modelo não tem o nariz amarelo, ora bem, parece que o Hermann Graf enquanto esteve no Jagdgruppe Ost pilotou dois FW190, um A-4 W.nr.634 e um A-5 W.nr.2594, e era o A-4 que tinha o nariz amarelo (e a dada altura também as entradas de ar nas laterais). Recentemente a Hasegawa colocou no mercado ambos os kits, a Dragon na altura pelos vistos fez um "mix", isto é decalques para o A-4 e peças para o A-5 (A-8!).
Assim, acabei por utilizar o "202" do leme, que não era suposto ter as folhas de carvalho no A-5, e as "túlipas" do nariz, 8 mais uma que tive de pintar integralmente - mais valia ter pintado todas, nem é assim tão difícil! (outra lição) -, 9 portanto, menos 2 do que as 11 que julgo serem, pois as do A-5 eram menos largas que as do A-4. Tive de pintar o leme porque o decalque incluído ficava curto :s. Também tive um azar com as suásticas, as primeiras que apliquei era enormes e não gostei de ver, depois apliquei outras mas de marcas diferentes e de aspecto ligeiramente diferente - estupidez! Outra lição a não esquecer - e tive de pintar parcialmente a do lado direito, porque ficou com um aspecto de "made in china". No fim de tudo, esta brincadeira com as suásticas acabou por me custar ter de voltar a pintar a deriva, coisa que já não saiu tão bem como da primeira vez.
Pacificados os decalques, nova camada de Future.


Seguiu-se o weathering. Ambos os modelos receberam um wash moderado de óleos nas linhas dos painés, uma mistura de raw umber com paynes gray. Depois, no do Hondt resolvi mascarrar/encardir as laterais da fuselagem afectadas pelos gases de escape com vários tons cinzento (quase preto) de pastel seco. A foto de referencia evidencia uma aeronave muito bem cuidada e limpa, apenas com vestígios de sugidade, o aplicar do pastel seco sobre uma superfície lisa como a future permite ter um grande controlo e dá para limpar facilmente o excesso de pigmento.

Também usei pastel seco para fazer os "fumos" nas saídas dos cartuxos vazios das armas e fumos de escape na parte inferior da asa. Seguiu-se um ligeiro sobreamento das linhas de paineis com uma mistura de smoke e castanho, tentei não "enferrujar" o modelo como aconteceu no Bf109E-3 do GB da Luftwaffe. Acho que saiu bem. Depois tentei fazer alguns (poucos!) descasques em zonas de stress com lápis da prismacolor, mas sem grande sucesso, ainda não consegui fazer nada parecido com o que vejo por aí .
No avião do Graf, resolvi experimentar novamente os pasteis para fazer a mancha dos escapes e acho que me entusiasmei demasiado, admito que tenha ficado um pouco exagerado. Apliquei novamente vários tons, inicialmente um acastanhado e depois cinzentos, a pincel fino de cerdas duras, verticalmente. Da próxima vez vou tentar ser mais comedido (Nota-se uma certa descoloração no rlm76 - parece "sky" - nas áreas logo a seguir à mancha de escape, porque infelizmente antes dos pasteis andei a inventar com o aerógrafo e a coisa correu mal...). Seguiu-se o sombreamento dos paineis, mais ligeiro ainda neste caso, e também muito ligeiro descasque, practicamente só na zona pisada no acesso ao cockpit e desta vez também com lápis de grafite.
Para selar a pintura, foi aplicada uma mistura de 2/3 verniz acrílico mate + 1/3 gloss da Xtracrylix, mas acho que ficou demasiado mate, pretendia atingir um brilho subtil que não apareceu. Gosto do acabamento destes vernizes e o tempo de secagem é ultra-rápido, mas o aerógrafo está constantemente a entupir, não sei se mais alguem tem experiencia com este verniz, eu costumo utilizar água para diluir, não sei se será o mais indicado...




Quase a chegar ao fim, concentrei-me nos pormenores finais. As canópias deram outra dor de cabeça, as estruturas interiores em peças de PE são extremamente frágeis e muito de díficeis de colar. Também resolvi completar as mesmas com uns cabos (de reforço?) que se percebe terem existido nestas canópias "flat", bem como passar a parte do fio da antena entra pelo topo. O material usado foi plastico estirado.

Os cintos de cima foram colocados antes de fixar as canópias e por, como referi ao início serem de um metal pouco maleável e duro, deram muita luta.
Os canos dos MG151 incluídos no kit são muito grosseiros, independentemente disso, sempre que possível, i.e., tratando-se de formas simples, tais como os canos dos MG151 ou Mk108, recorro a tubo de latão para os fazer, neste caso de 1mm, que passa perfeitamente por "20mm" nesta escala. No A-5/U12 do hondt, equipado de fábrica, com as góndolas duplas de MG151/20, para dar volume à base dos canos utilizei bare metal foil.
Os canos foram pintados com preto semi-mate e depois pincelados com mina de lápis, a minha fórmula e que acho das mais convincentes.




Para terminar coloquei os fio da antena, em plastico estirado, mais um trabalho de grande paciência e que correu pior no A-5 do Graf, a dada altura soltou-se a extremidade inserida na canópia depois do conjunto ter sido colocado já não tive ânimo para voltar atras, acabei por voltar a conseguir colar mas ficou pouco tenso. Os isoladores foram feitos com cola branca.
As luzes de navegação (vermelha a bombordo, verde a estibordo) foram feitas com cola branca - gosto muito de cola branca! -, primeiro para tapar o furo destinado às peças transparentes que não usei, e depois, a seguir a um ponto de tinta prateada, para dar a forma aproximada, tipo gota. Pintei com vermelho/verde transparente.
A empreitada terminou com a fixação das restantes antenas por baixo das fuselagens.



E pronto, os próximos hão-de sair melhor, modelos em stock não faltam, vivendo e aprendendo.
Obrigado pela atenção.
Abraço
W.nr. 2594







W.nr.410266








